Kairos desabafa.
Os inúteis sociais.
Houve um tempo em que as nações se erguiam aos ombros dos seus melhores.
Desse tempo, restam algumas memórias esquecidas e negligenciadas, apodrecidas pelo vagar dos tempos e o passar das lágrimas que marcam os rostos...
Daqui nasceu uma geração sem norte, desprovida de referências, sedenta pelo mundo novo que os seus antepassados não foram capazes de perceber e agarrar.
Vagueando por um admirável território bravio, repleto de oportunidades, compraram as ilusões da fama, da riqueza, do facilitismo e do hedonismo disponível à mão de semear.
Os vendilhões dos templos surgiam, quais arautos, de fato e gravata, conduzindo belas máquinas, desenhando gestos metodicamente preparados ao espelho, tratados com a deferência dos doutores e engenheiros, apenas ao alcance das elites Lisboeta e Coimbrã, até então...
A porta do paraíso abria-se de par em par e tamanha flurescência ofuscava os sentidos dos jovens incautos, dispostos a emergirem no sonho prometido e falhado pelos seus pais.
Um singelo pormenor separava-os da vida condigna e abastada que tanto almejavam: Necessário era abdicar dos valores e princípios que outrora levaram todo um povo a sonhar com um Homem novo.
De rosa ou laranja se vestiam, não raras vezes revezando-se entre barricadas com tamanha graciosidade nunca antes vista.
Rapidamente absorviam a cartilha que lhes sustentava o ser, pouco ou nada se importando com o sentir das suas palavras.
Vivia-se a era da aparência, princípio, meio e fim de uma sociedade de fachada.
Estes homens e mulheres foram criando riqueza, sobretudo ao leme de cargos públicos que também chamavam a si como sua propriedade, e numa espécie de ciclo vicioso nacionalizavam-nos para benefício pessoal e dos lobbys que lhes sustentavam o vício.
Sim, porque o poder de vício se trata!
De um momento para o outro, grupos territorialistas se formaram, partilhando laços de sangue ou de forte cumplicidade.
Atrás de gerações brotaram novas ainda mais ambiciosas, desta feita pelo brilho glamoroso de tudo o que era passível de ser comprado, do flash momentâneo e do brua causado pelo rugido de um qualquer BMW topo de gama.
Os cantos da moda dispararavam em noites de Sexta-feira, repletos de caras bonitas adquiridas ao botox e ao pó de arroz.
O Ser encostava-se progressivamente para dar lugar ao ter, o conhecimento passara de admirável a perfeitamente evitável e o mérito arrastava-se pelas ruas com uma amargura que raiava entre o ódio e a indiferença.
Entre todos existia uma convicção comum e que definia a diferença entre o sucesso desprovido de valores e o insucesso norteado pelos princípios.
Os Pires deste país nasceram e cresceram à sombra de uma vida dourada, na qual a dificuldade, o mérito e o carácter eram tão desconhecidos quanto a sala de espera de um centro de emprego.
Não tendo a necessidade de bater de porta em porta, com os currículos vitae debaixo do braço, entraram pela maior e mais desejada das passagens: a do poder.
Sinónimo de caciquismo, de oportunismo e de canalhismo, este poder tudo comprava e tudo prometia vender.
Os Pires deste país sentiam que era necessário legitimar a vida através de um documento carimbado pela secretaria de uma qualquer universidade, independentemente das competências adquiridas.
Ser Dr. bastava e aos olhos da plebe e tal título raiava mais do que mil sóis.
A ascensão meteórica, do banco da faculdade e da noite bem bebida na discoteca da moda, para o cargo do poder, de assessor ou de vogal era tida como natural, independentemente da capacidade ou do know how para assumir tamanhas responsabilidades.
Mas os Pires deste país não se importunam com nada disto.
Eles abarcam o máximo que podem, aproveitando para distribuir generosamente o prémio por quem com eles rasteja.
Hugo Pires, quer queiramos ou não, a não ser que tenhamos a coragem de o remover da sociedade dos justos, será o futuro da cidade e do país.
Senhor de um percurso académico à imagem e semelhança do seu guru político (Sócrates), este rapazola cavalgou o poder à bolina do seu pai.
Fadado para a construção civil, seguiu a carreira de arquitecto, com um pequeno senão.
Tal como o seu ídolo, a Hugo Pires não se conhece ou reconhece obra, tendo ascendido meteoricamente aos destinos de uma das mais importantes cidades do país.
Ele é urbanismo, ele é protecção civil, ele é fundações, ele é... enfim.
É óbvio que o dia deste mega vereador não se resume a 24 míseras horas, reservadas aos simples mortais.
O seu cérebro hiper poderoso está delineado de forma a lidar com tsunamis de informação em simultâneo, de forma capaz e cabalmente competente.
Podemos acreditar em tudo isto, considerando tais factos como normais, ou não.
Na verdade, Hugo Pires de nada sabe e de nada quer saber.
Rodeado por quem o acompanha nos caminhso da ignorância, vai aproveitando a benesse para nomear os seus generais.
Os tais jovens que o acompanham não passam de reles rastejantes, consumidores massivos de álcool nos locais consagrados da capital do distrito.
Os Pires deste país sairão vencedores no fim de uma vida, aos olhos da plebe, mas perante o altar da dignidade e da seriedade jamais passarão do nada existencial.
Tenho dito.
Kairos
Mensagem privada para o meu caro amigo.
ResponderEliminarEstou disponível para integrar o tal grupo de reflexão.
Farto desta bosta estou eu!
Seja armada ou pacífica é precisa uma revolução!
Abraço!
vamos nessa
ResponderEliminarDeixem os jovens mostrar o que valem, depois comentem.
ResponderEliminarGrande amigo Kairos sabes que podes contar comigo, vamos dar a volta a isto...
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