A (falta de) intervenção social dos putativos candidatos à Câmara de Braga,por Repórter X
A (falta de) intervenção social dos putativos candidatos à Câmara de Braga,por Repórter X
(Pedimos compreensão pelo tamanho do texto)
À medida que a próxima batalha autárquica se aproxima, vão surgindo no horizonte as várias facções que pretendem assumir os destinos da terceira maior cidade do país.
Entre putativos candidatos e aspirantes recorrentes, limpam-se armas, carregam-se munições e cavam-se trincheiras, facto que é do agrado de uma pseudo elite trolha que tomou de assalto a Res Publica bracarense.
Braga é o paradigma de um país atolado a um pântano de corrupção, afundado em "faraonísmo", destituído de princípios e valores norteadores, no qual a lógica do vale tudo é soberana.
Nas últimas semanas têm sido lançados à liça os peões dos tais putativos, os quais se apresentam das mais variadas formas, seja na blogosfera, na comunicação social ou nos cafés da moda, tão ao gosto de uma pseudo intelectualidade Queiroziana.
Estes mancebos têm como principal função a limpeza do terreno, e a preparação de uma série de armadilhas cujo fito visa descredibilizar o inimigo e, se possível, destruí-lo politicamente.
Entre campos de minas, baterias calibradas e katiuchas bem municiados, fica um povo perdido em plena terra de ninguém, desconhecendo de forma pateta e alegre as jogatanas e a viciação que vão sendo semeadas nas suas costas.
A causa pública é uma mera arma de arremesso e não representa o alfa e o ómega dos bispos que se querem fazer reis.
Perante a iminente vacatura do trono mesquitista, urge descortinar quem são os candidatos a candidato, tal como a verdadeira natureza das intenções que os move.
Bem analisados os factos, as soluções pré apresentadas pelas forças mafiosas que gerem o país e a cidade, ou seja, PS e PSD (este último sob a capa de uma coligação messiânica transexualizada, com neo-liberais, neo-salazaristas e neo-monarcas), são, nada mais, nada menos, do que a perpetuação do estatuto fossilizado numa comunidade sedenta de libertação mental.
Se do lado Xuxialista se impõem dois príncipes do velho regime, exauridos por décadas de espera (António Braga e Vitor Sousa), por outro os bracarenses deparam-se com uma figura cristalizada numa auto-propalada imagem de seriedade e moralidade que o tornou num alvo demasiado fácil.
Falamos, obviamente, de Ricardo Rio.
Até ao preciso momento, e convenhamos que o tempo que medeia o dia e hoje e o embate eleitoral de 2013 é escasso, não se conhecem os preparatórios programas dos tais putativos.
As parangonas da imprensa facciosa bracarense, dominada pelos cavalos partidários deste verdadeiro Xadrez, esgrimem argumentos e contabilizam os peões que, supostamente, comparecem às reuniões "arregimentadoras".
Ao longo das páginas que confundem prostituição, pornografia, futebol e opiniões políticas, deparamo-nos com a diarreia mental dos filiados ou dos cães de fila que anseiam pela migalha que lhes caberá a partir de 2013.
Mas bem feitas as contas, pergunta o cidadão comum:
E nós?
E a cidade?
Ora bem, perante um cenário social que se alterou profundamente no decurso deste ano, com especial enfoque na governação autárquica, não se avistam ou conhecem posições de fundo dos tais putativos.
Às legítimias preocupações dos bracarenses, sobre os seus empregos, os seus salários, as opções sociais da autarquia, sobre a fome que grassa desenvergonhadamente, sobre a educação, a saúde ou as obras públicas, os candidatos a candidatos anunciam silêncio.
Comecemos pelo putativo António Braga...
Não sendo "marketeer" prevejo que os cartazes deste "eventual" declarem o seguinte:
"Vota por ti. Vota Braga".
António Braga patenteia não um mas três calacanhares de Aquiles:
1º Esteve intrinsecamente ligado ao pior governo da história democrática portuguesa.
2º Sobre si, pairam névoas que colocarão em causa a sua lisura, facto que será bem aproveitado pela oposição
3º É um apátrida na sua própria terra, já para não falar da forma vergonhosa como dirigiu algumas das sessões da assembleia municipal.
As eleições autárquicas detêm um cariz fenomenológico que passa pela identificação entre o cidadão e o autarca, por esse motivo Ricardo Rio não foi capaz de ser bem sucedido, apesar de se ter apresentado como uma lufada de ar fresco no cenário político desta cidade.
Um povo que desconhece e não se identifica com o candidato local, pura e simplesmente não o elege.
António Braga será vítima desta lógica, mais do que propriamente de todas as acusações que brotarão a partir da segunda metade do próximo ano.
Não querendo ser exaustivo, passaremos à análise do "provável" Vítor Sousa.
Sublinho novamente que não somos especialistas em marketing político, mas antevemos o seguinte slogan:
"Vota Sousa e vem fazer parte desta grande família em que tudo é feito para ti, especialmente se militares na nossa causa".
Vítor Sousa é uma espécie de sequela "Mesquitista, parte II, o regresso daquele que nunca partiu".
Este putativo é a outra face de uma moeda que está há demasiado tempo na posse dos mesmos senhores.
O seu "in"sucesso dependerá da sua capacidade para transformar a fraqueza em mais valias, ou seja, caso faça reluzir mais de trinta anos de poder, estará no bom caminho, mas confessamos que temos alguma dificuldade em entender como se puxa o lustro e o brilho a uma taça tão desgastada.
A variável que fará pender o resultado derivará da influência que o poder instituído for capaz de exercer sobre uma cidade que é excessivamente dependente da autarquia, a qual se assemelha a uma enorme estrela polar.
A sua vantagem consiste no facto de ser um candidato que se move como peixe na água e que conhece os meandros e as "portas da traição" da grande muralha que rodeia Bracara Augusta.
Mas caríssimos, não tenhamos dúvidas.
A verdadeira fonte da soberania reside nos interesses instalados e que não ficarão sem patrono.
O pragmatismo do capital facilmente fará a portabilidade de Mesquita para Braga, Sousa ou Rio, sem custos adicionais ou taxas de activação.
Sobre Ricardo Rio temos falado frequentemente pelo facto de se apresentar à terceira candidatura consecutiva, aproveitando a influência monárquica de um dos parceiros coligacionista.
Embora no pólo oposto, Rio corre o risco de se instituir como a mudança messiânica que nunca chega, encarnando o mito Sebastianista.
Não nos cansamos de referir que Rio se colocou num patamar que, mais cedo ou mais tarde, o fará cair.
Quem se intitula como um arauto da moralidade só pode seguir um caminho unidireccional, sem desvios ou excepções e Rio é o paradigma da hipocrisa política.
Rodeado de algunscorruptos, celebremente conhecios por usarem e abusarem dos bens públicos para fins privados, Rio não foi capaz de se livrar desses estigmas.
Falta-lhe coragem política e sobra-lha ingenuidade, facto que é reconhecido por muitos dos seus colegas de partido.
As principais falhas que lhe são apontadas passam pela total ausência de posição sobre a actualidade nacional, a qual coloca a cidade em que Rio pretende ser presidente no fim da linha.
Ninguém lhe conhece opinião sobre um orçamento que fará grassar o desemprego em Braga.
São insondáveis os seus pareceres sobre os cortes que colocarão em causa infraestruturas e as políticas sociais da nossa cidade.
Desconhecem-se medidas estratégicas para atrair investimento.
Não lhe ouvimos opinião sobre a reforma administrativa autárquica.
Sobre possíveis cortes de postos de trabalho na administração local, nem uma palavra.
Aborda determinadas questões pela metade, dando-se como exemplo o caso da protecção civil em que Rio apenas aponta os dedo aos Sapadores, negligenciando que não se pode falar seriamente de um tema sistematizado sem incluir todos os agentes.
É óbvio que esta "lacuna" deriva do facto de Rio albergar na sua lista alguns responsáveis pela derrocada da protecção civil bracarense.
Posições sobre a saúde, no nosso concelho, só devem existir no éter, dando-se como exemplo a ausência de pressão sobre a vergonhosa situação do centro de saúde do Carandá.
Quanto à educação, idem.
Mas sobre a colaboração com os empreiteiros que fizeram de Braga uma espécie de Sodoma e Gomorra, Rio tem uma postura bem definida, ora vejamos:
Comentário no blog Braga 2009 -
"Deixo aqui uma questão ao Dr. Ricardo Rio, vai reabilitar Braga com os mesmos caga-notas que a destruiram e salvaram-se a eles próprios com exemplos como Theatros Circos, piscinas olimpicas e estádios, por pura ganância , falta de cultura e de sentido civico?
21 de Outubro de 2011 01:21"
Resposta de Ricardo Rio -
"Meu Caro,
O não cometer os erros do passado não obriga a excluir ninguém. Bem pelo contrário!
22 de Outubro de 2011 10:46"
Bem vistas as coisas, teremos um Ricardo Rio aliado aos empreiteiros do regime, ou melhor, à mesma lógica subversiva que lançou a cidade de Braga na sombra da corrupção.
A pergunta que daqui decorre é muito simples: Mas onde paira a moralidade? Para quê tanta luta do braço armado da coligação, de seu nome Bragamaldita, contra a tal "empreiteiragem", ou acreditam piamente que os "caga notas" desaparecerão com a ascensão de Rio ao poder?
Fazendo uma breve pesquisa no blog de Ricardo Rio, constata-se que a esmagadora maioria das suas intervenções se direccionam para a questão do urbanismo, ou seja, pedra e cimento, um verdadeiro maná para os FDO e ABB desta cidade.
Sobre pessoas de carne e osso, problemas sociais, fome e miséria nem uma ideia que seja!
Lamentável e demasiado sintomático de um candidato elitista que não se identifica minimamente com o povo. (Já agora, alguém vê Ricardo Rio nas ruas de Braga, ou é uma espécie de mito urbano?).
Como é que alguém quer governar uma cidade se não lhe conhece a gente e os cidadãos não o conhecem?
Como é que a coligação quer abraçar todo um concelho, quando afirma alto e bom som que o povo das freguesias rurais é parolo e ignoranate?
As grandes causas de Rio são as Sete Fonte, a fábrica Confiança, à qual tem dedicado a maioria dos seus textos no próprio blog, as instalações do antigo quartel da GNR, a futura pousada da Juventude, a antiga bracalândia, cimento, pedra, pedra, cimento...
Sobre seres humanos nem uma palavra!
Sobre as formas de combater o desemprego e a fome, zero!
Sobre as políticas sociais, abaixo de zero!
Acreditará Rio que a fábrica Confiança dará de comer aos milhares de desempregados do nosso concelho?
Numa altura de profunda emergência social limita-se a ser uma nulidade?
Rio declara que denuncia o betão em Braga, mas as suas alternativas por ele apregoadas são o...betão!
Que raio de coligação é esta que organiza excursões à antiga Bracalândia e não reune os seus apoiantes para dar visibilidade à fome que corrói os estômagos de centenas de crianças bracarenses que apenas têm uma refeição quente por dia?
Rio afirma que, apesar de ser um negócio nada atractivo para privados, a fábrica Confiança deveria ser adquirida pela Câmara, pelo facto de constituir património urbano.
Este é o mesmo Rio que justifica gastos de milhões em cimento e que anuncia cortes nas áreas sociais e apoia um governo que distribui fome e desemprego.
Resumindo e concluindo, dos três putativos candidatos, nenhum tem uma única palavra sobre a actualidade nacional, limitando-se a discutir negociatas e apoios partidários.
Exige-se aos bracarenses que façam os seus juízos de valor, sem nunca esquecer que Braga não está destinada a ser governada pelos vendilhões do tempo.

Eu também gostava de ver o Rx nas ruas da cidade. Até gostava de lhe ver o nome e a cara. E pergunto-lhe: com tanta coragem, já disse isto directamente ao Rio? Ou não o encontra? Cagar postas de pescada no anonimato qualquer merdas faz.
ResponderEliminarLido este texto sobra zero. Este senhor tem uma cassete engolida e vai vomitá-la até ao fim (dele).
Fica aqui um desafio com prémio: encontrem um texto do Rx em que ele não fale do Machado e da mulher. Está tudo dito!
Caro RX, parabéns pela análise e forma de escrita! Continue!
ResponderEliminarAgora parece-me que comparar entre 2 carreiristas políticos, com dezenas (DEZENAS!!!) de anos na função e responsáveis DIRECTOS pelo período que estamos a viver, como Vítor Sousa e António Braga, e o Dr. Ricardo Rio, não só é incompreensível, como de todo INJUSTA!
Olhe é a mesma coisa que comparar a Obra-Prima do Mestre com a prima do mestre da obra...
Aníbais duartes corrécios, o rx já lutava e dava a cara nesta cidade bem antes do vosso patrão sair do buraco para ser o moralista mor do reino.
ResponderEliminarSe o Rio não o conhece é porque nunca, repito, nunca o quis receber nem nunca se dignou a querer falar com ele e com outras pessoas que lutavam por uma causa justa.
Tentei procurar mas não encontrei referências ao machado e à mulher. Anda gente na senhora a branca a ler mal.
Brilhante!
ResponderEliminarOs socialistas temem-no e os sociais democratas odeiam-no.
É um bom sinal para o RX porque significa que não pertence à escumalha das negociatas.
É uma análise perfeita sobre os três candidatos declarados à presidência de Braga.
Pergunta ao Ricardo Rio: se o dinheiro fosse seu, compraria as tais instalações ou investiria em políticas sociais?
A obra vai para a frente nos próximos anos?
Se sim, com que dinheiro?
Se não, porque é que não se utilizaram outros instrumentos para guardar para mais tarde a aquisição, quando há outras prioridades no concelho?
Parabéns ao Farricoco por ter um colaborador desta qualidade.
Bastou um artigo do RX, que por sinal foi escrito por um tipo da elite bracarense, para revolucionar o marasmo da política deste burgo.
Continuem!